Aos olhos de Judas: semiótica e imagem na Amazônia
Palavras-chave:
semiótica, corpo, Amazônia, imagemResumo
Em meus estudos procuro entender a intersecção entre semiótica, imagem e a construção da representação do corpo humano na Amazônia. Mas, porque aos olhos de Judas? Na figura do Iscariotes, como metáfora, explorei a dualidade inerente à traição e ao ensinamento. A etimologia da palavra “traição”, que remete à ideia de “entregar” ou “transmitir”, revela um sentido duplo que se alinha à forma como as imagens podem moldar a percepção da realidade. A análise da representação corporal no Brasil parte das gravuras presentes na obra “Duas Viagens ao Brasil” (1557), de Hans Staden. Embora apresentadas como relatos de experiência, essas imagens são interpretadas como projeções de um cânone visual europeu. Tal cânone retratava o indígena como selvagem e canibal, estabelecendo um “símbolo germinal” para a Amazônia. Para aprofundar essa análise, utilizei a arquitetura filosófica de Charles Sanders Peirce. Por meio dela, as imagens são investigadas como “símbolos germinais” que inauguram o hábito interpretativo, transformando a alteridade em categoria mental. A mente, por meio do hábito, generaliza sentimentos e reações provocadas por essas imagens, que, por sua vez, fixaram padrões de interpretação. Entendemos que na lei da mente se permite a evolução do pensamento e a formação de novos hábitos, mesmo que a mente seja influenciada pelo passado em um fluxo contínuo de consciência. Em suma, no texto procurei demonstrar que as gravuras de Staden atuaram como operadoras simbólicas cruciais, moldando a identidade imagética do Brasil e, consequentemente, da Amazônia. Elas consolidaram uma visão de diferença radical e passível de consumo dentro do horizonte interpretativo ocidental.
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