Ícones do exílio, índices do trauma, símbolos e disputas culturais: uma leitura de Homens ao sol, de Ghassan Kanafani
Palavras-chave:
literatura palestina, Ghassan Kanafani, semiótica peirceanaResumo
Este artigo propõe uma leitura semiótica da novela Homens ao sol, de Ghassan Kanafani, articulando três eixos analíticos: o exílio como ícone, o trauma como índice e os símbolos que emergem das disputas culturais no contexto palestino. Por meio da jornada de três refugiados palestinos em busca de uma vida digna após a Nakba, a narrativa revela o esvaziamento identitário e a perda de agência diante da violência estrutural e do silenciamento histórico. O exílio, enquanto signo icônico, reitera-se nos corpos em trânsito e na paisagem desértica que os cerca, funcionando como representação direta da ruptura com o lar e a pátria. O trauma manifesta-se como índice na corporeidade dos personagens e em sua progressiva desumanização, culminando no trágico desfecho dentro do caminhão. Já os símbolos, como o próprio sol ou o silêncio final, remetem a uma crítica contundente à passividade árabe diante da causa palestina e à opressão colonial. A partir de um enfoque peirceano e de uma perspectiva pós-colonial, a análise destaca como Kanafani transforma uma narrativa aparentemente simples em uma potente alegoria política e subjetiva, expondo as feridas abertas do deslocamento forçado e denunciando as formas contemporâneas de apagamento cultural.
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